Notícias

Araucária está quebrada! Não há mais dinheiro para investimentos em infraestrutura e social

Limite prudencial está chegando no teto e prefeito pode ser julgado por improbidade administrativa

 

Durante a reunião realizada na noite da última quinta-feira, 30, na sede da prefeitura municipal de Araucária, entre os Sindicatos dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) e do Funcionalismo de Araucária (SIFAR) e representantes da administração municipal, foi informado, por servidores da Secretaria Municipal de Finanças (SMFI), que a gestão não poderia conceder nenhum reajuste pois não há arrecadação e nem repasses, com exceção do que já havia sido programado. Ou seja, ignorando recursos humanos e a promoção da qualidade de vida do cidadão, a gestão não tinha incluído no orçamento municipal os reajustes aos servidores municipais. A administração não apresentou nenhuma resolução para as demandas existentes, e não podem falar que não sabiam quais eram.

Durante a reunião, foram apresentadas informações referentes aos custos no primeiro quadrimestre de 2026. De acordo com eles, as travas da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não permitem mais investimentos já que as despesas do caixa estão com 51,3% (R$ 803 milhões), o que causa a entrada em vigor de proibições legais. As despesas atuais somam mais de R$ 798 milhões. Se o valor chegar a 54%, a administração pode sofrer exonerações, bloqueios de repasses federais e estaduais e multa ao gestor.

Ainda nesse sentido, o primeiro momento de atenção é acionado quando o município chega a 48,6%, com alerta formal do Tribunal de Contas. Apesar disso, não foi apresentado nenhum documento comprovando essa emissão.

Com solicitação de 51 dias entre um encontro e outro, o último tinha acontecido no dia 9 de junho, a atual administração de Araucária trouxe para o encontro de ontem os mesmos números fornecidos anteriormente. É importante ressaltar que ambos os Sindicatos estiveram reunidos às 9h na antessala do gabinete e o secretário de Governo, Robison Furman havia dito que teria uma reunião com a SMFI. Se houve a reunião, não sabemos, mas que os números apresentados foram iguais, isso foram. A impressão é que novamente Furman demonstra despreocupação com o servidor público. Com quase dois meses entre uma agenda e outra, nenhuma ação foi estabelecida e a frase mais ouvida na mesa de negociação foi: não há dinheiro!

 

 

O que ficou definido?

 

Com uma série de reivindicações ainda em aberto, a Comissão de Negociação do SISMMAR levou para a mesa a necessidade de reajuste no vale-alimentação, cobrou uma resposta sobre a devolução dos descontos realizados para professores e professoras que participaram das últimas Assembleias (se bem que a administração descontou a revelia e não somente de quem estava na mobilização), debateu sobre o piso salarial na base aos professores e às professoras da Educação Infantil, a regulamentação da substituição e o atendimento às pautas dos aposentados.

Já no início das falas, após a apresentação da SMFI, a gestão deixou claro que haverá descontos de quem não trabalhou no dia de ontem.

Vale-alimentação

Sobre o vale-alimentação o governo apresentou uma proposta de reajuste zero (0%). A gestão fez questão de apontar que Araucária é o município que possui o maior valor entre as maiores cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), demonstrando apatia e frieza emocional com a qualidade de vida do servidor, considerando que poderiam ganhar até menos. É importante lembrar que a administração concedeu um reajuste de 4,11% nos vencimentos dos servidores, valor abaixo da inflação. Pra deixar ainda mais claro, o professor e a professora da Rede Municipal de Educação não tiveram um aumento real no salário. Ou seja, o custo de vida cresceu, mas o salário não teve o mesmo reajuste.

O incrível é que a administração chegou a cogitar o pagamento de somente metade do valor desse benefício aos professores que fazem 20h. Um absurdo tão grande quanto a capacidade de gerir o município dos representantes da administração.

Ao final, a administração encerrou as negociações sobre essa pauta ainda este ano, salvo haja fundos financeiros.

Destaca-se aqui que o pagamento do vale-alimentação não entra nos custos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Desconto em folha e dívida histórica

Sobre os descontos em folha dos professores e professoras que participaram das Assembleias, a gestão também não trouxe uma definição. O secretário de Governo disse que essa responsabilidade seria da Secretaria Municipal de Educação (SMED), mas o SISMMAR apontou que, conforme último encontro entre o Sindicato e representantes da SMED, realizado no dia 2 de julho, o próprio chefe da pasta, Sérgio Ricardo Hey, destacou que a definição ficaria pra o gabinete do prefeito. Esse jogo de empurra-empurra demonstra que ninguém quer assumir a responsabilidade e tomar uma atitude. Lembrando que a reunião foi no início do mês e até o momento a gestão não fez uma reunião para definir a situação.

Ainda sobre esse tema, junto com a questão do repasse da dívida histórica, uma nova reunião foi agendada para o dia 31 de agosto. O SISMMAR espera que desta vez a administração faça o devido trabalho e apresente uma resolução. Não é função do Sindicato apontar saídas para os problemas que a própria administração está provocando.

Apesar das cobranças do Sindicato, a administração se mostrou contrária a devolução dos descontos.

 

Décimo terceiro salário

Os servidores públicos de Araucária ainda não receberam a primeira parcela do 13º salário, conquista história do trabalhador e que traz alívio e qualidade de vida para o cidadão. A parcela ainda não foi depositada porque, novamente, a administração vincula o pagamento ao recebimento de repasses de outras fontes. Apesar disso, se comprometeram em pagar em até 60 dias.

 

Não houve mais tempo hábil para novas negociações já que a todo momento a fala repetitiva dos representantes da administração era que não tinha o que fazer por falta de recursos.

 

Presença dos chefes das pastas

Causa muita estranheza onde, em uma reunião com Sindicatos, os principais responsáveis pelas Secretarias Municipais relativas e até o prefeito municipal não compareçam para responder pelas ações.

Já é de praxe que o prefeito Gustavo Botogoski (PSD) e o secretário Municipal de Educação, Sérgio Ricardo Hey, se escondam das negociações. Alguém duvidaria que eles não estariam presentes?

Participaram da reunião os representantes do SISMMAR, Simeri Calisto, Kathleen Marczynski e Nayara Andrade. O SIFAR trouxe Cristina Homma, Gisele Chibinski, Bruno Garcia, Jair Zanin e Gabriel França. Estava também o representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Sandro Silva.

Pelo governo estavam presentes Furman; a diretora-geral, Viviane Simioni; o procurador-geral, Gelson Mezzomo; a secretária Municipal de Gestão de Pessoas (SMGP), Thaisa Botogoski, e a diretora-geral, Margarete Druciak; e o secretário Municipal de Finanças, Franscisco Arruda, a diretora-geral, Cristiane Cordeiro, e Telma Martins.